Níveis da Medicina: 1.0, 2.0, 3.0, 4.0 e 5.0

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    Por ser muito recente, a história da medicina ainda não foi bem estudada. Por este motivo existe uma tendência em não termos uma ideia clara de em que fase nos encontramos.

    Identificar que tipo de medicina e que tipo de médico somos é fundamental para que possamos identificar as habilidades que temos que desenvolver para passarmos para uma nova medicina.

    Como em qualquer jogo, temos que conquistar uma fase de cada vez, com as habilidades e ferramentas corretas, as quais tem que ser desenvolvidas e aprimoradas.

    Às vezes achamos que estamos atualizados pelo simples fato de não sabermos que existe uma medicina mais moderna e eficiente.

    Ao descobrirmos esta nova medicina, descobrimos também as características pessoais que temos que mudar para evoluirmos.

    Vamos então conhecer essa breve história da medicina.

    No brasil a primeira faculdade de medicina surgiu na Bahia no ano de 1808, formando os primeiros médicos.

    Estes médicos migraram para as cidades, inaugurando o que chamamos de medicina 1.0.

    Estes locais estavam ávidos pela presença de um médico.

    Imagine como era difícil para essas comunidades encarar uma enfermidade própria ou de algum familiar sem nenhum tipo de assistência em quilômetros de distância.

    Quando algum médico chegava na cidade era sinônimo de progresso e salvação, mesmo hoje sabendo que o nível de conhecimento e efetividade deste médico era precária.

    Nessa medicina, importava apenas a presença deste médico. Levar um enfermo para ser atendido por algum médico era um alento ao doente e a sua família.

    Aquele médico era algo próximo a uma entidade enviada por Deus para aliviar o sofrimento.

    Nesta fase inicial que o médico teve seu papel social comparado a algo divino ou angelical.

    Medicina Angelical - aceleradr.com

    Medicina Angelical – aceleradr.com

    Não importava a distância, o custo, o tipo de atendimento ou o resultado que iria advir dali, importava somente a presença daquele médico que tinha mais condições de dar alívio e alento, independente se curasse ou não o doente.

    O consultório desse médico era algo inimaginável para os padrões de hoje.

    Sem um atendimento adequado, sem materiais, sem efetividade, esse consultório também não necessitava de marketing e nunca era alvo de críticas, pois era a única medicina que aquela população conhecia.

    Era relativamente fácil ser médico naquela época desde que soubéssemos lidar com a limitação de estrutura e efetividade.

    Mas a medicina foi evoluindo, em uma velocidade muito menor do que vemos hoje.

    As faculdades de medicina foram lentamente se multiplicando, assim como o número de médicos.

    As cidades que abrigavam um médico apenas, passaram a receber dois, três até atingir dezenas.

    Cada médico que chegava acabava atendendo tudo, mas lentamente as preferências e conhecimentos pessoais foram levando os médicos a se especializarem em áreas específicas. Criando grupos de médicos que atendiam cirurgia, pediatria, ginecologia, clínica e psiquiatria por exemplo.

    A medicina já não era mais a mesma, pois os paciente já começavam a perceber a diferença entre os médicos.

    O nível de tolerância aos maus resultados, mau atendimento e falta de conhecimento já começava a destinar um número maior de pacientes para alguns médicos dentro de cada grupo, criando as bases de uma hierarquização dentro da medicina.

    Quando o número de médicos passou de uma centena, vários já estavam desenvolvendo a mesma especialidade aí foi um caminho natural para que se formassem grupos fechados de especialistas para otimizar uma formação na área, trocar experiências e organizar os atendimentos.

    Foi então que surgiu a medicina 2.0, que foi caracterizada pelo surgimento dos Serviços Organizados das Especialidades médicas. Tomamos historicamente por data de início dessa fase a criação do hospital das clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em 1956 em São Paulo.

    A estrutura da Medicina 2.0 era completamente diferente e disruptiva da medicina 1.0.

    Os paciente já não buscavam qualquer médico para resolver seus problemas, eles preferiam especialistas e os que tinham mais possibilidades buscavam os mais experientes. Normalmente o que caracterizava essa experiência era ser chefe do serviço de especialistas.

    Não precisa ser comentado o caos que foi pros médicos 1.0.

    Suas condutas passaram a ser constantemente questionadas, seus resultados comparados com os dos especialistas e os médicos que insistiam na medicina 1.0, estavam sendo abandonados, rejeitados e perdendo totalmente seu prestígio.

    Até hoje o clínico geral é visto com desdém pelos pacientes pois remete a ideia do médico do interior que não se especializou em nada e sabe quase nada de tudo e não serve para resolver um problema de moderada complexidade.

    Apesar de estarmos entrando na medicina 5.0, a maioria dos médicos ainda se encontra na medicina 2.0.

    Medicina 2.0 - aceleradr.com

    Medicina 2.0 – aceleradr.com

    Para muitos ainda existe um grande sonho de se tornar chefe do serviço. Fazem concessões, politicagem, esforços hercúleos, se submetem a assédio moral, tudo para que no futuro possam ocupar o cargo de chefe do serviço pois acreditam que isso lhes trará mais pacientes e prestígio.

    Os chefes dos serviços viviam uma vida tranquila e maravilhosa, deleitando-se de seu prestígio, o mesmo que os médicos 1.0 do interior possuíam no século passado.

    Porém, como estes últimos, foram abalroado pela novidade da Medicina 3.0.

    Ela surgiu com o advento da internet e das redes sociais.

    Alguns médicos especialistas que não faziam parte do alto clero dos serviços, decidiram começar a divulgar seu conhecimento a sua experiência e se comunicar com uma grande massa de pacientes através da internet.

    O fenômeno que começou a ocorrer é que a referência em determinada especialidade não era mais o chefe do serviço que era inalcançável, inatingível, praticamente uma lenda, e passou a ser o: “médico que eu vi na internet”

    Este médico que começou a explicar através de conteúdo fácil e amplamente disponível para uma escala enorme de pessoas, passou a ter mais valor e mais pacientes que o chefe do serviço de especialistas do hospital.

    Vemos todos os dias médicos ascenderem na carreira, desbancando renomados chefes por conseguir se comunicar melhor com os pacientes.

    Nada mais natural que na era da comunicação, médicos com essas capacidades se destaquem.

    A medicina institucional 2.0 ainda existe porém vem perdendo força rapidamente. Hoje ser chefe de serviço, do ponto de vista de carreira, é uma total perda de tempo e de dinheiro pois é uma forma totalmente ineficaz de atrair pacientes.

    Entendemos, até aqui, que o médico 2.0 fazia tudo por prestígio dos seus colegas e dos pacientes, e seu objetivo maior era ser votado para ser aceito como chefe dos demais, era o apogeu dos delírios de aceitação.

    Já o médico 3.0 quer se comunicar com a população que os segue e quer entregar resultados. Quer que os ensinamentos contidos em suas aulas nas redes sociais causem um impacto positivo na vida dos seu seguidores.

    Se o médico posta alguma orientação e esta causa um resultado positivo na vida das pessoas, isso multiplica o número dos seguidores.

    E a velocidade das mudanças é cada vez mais rápida. A ascensão dos primeiros médicos 3.0 foi por volta de 2010 com o advento das redes sociais e agora já em 2018 esses médicos estão sendo assolados pela medicina 4.0.

    Os médicos 3.0 foram desbravadores de uma nova medicina e foram os que primeiro uniram a medicina com o marketing digital.

    Porém, da mesma maneira que os anteriores da medicina 1.0 e 2.0 sofreram com o desprestígio, nestes últimos anos os médicos 3.0 que não conseguem se adaptar estão perdendo credibilidade, pacientes e lucros.

    Medicina Decadente - aceleradr.com

    Medicina Decadente – aceleradr.com

    Apesar de serem mestres da comunicação com os pacientes, os médicos 3.0 se caracterizam mais como generalistas, em que tentavam melhorar a vida de seus seguidores\pacientes de uma maneira global. Normalmente os que mais se destacaram não tinham uma especialidade definida, eles justamente optaram por ser generalistas pois essa modalidade era muito recente e o esforço era justamente para atingir o maior número de pacientes com diversas dores diferentes.

    Já a medicina 4.0 surgiu baseada em conceitos de gestão de alto desempenho. Chamamos a medicina 4.0 de medicina do produto premium e do user experience.

    Foi esta a maneira que os médicos encontraram para trazer inovação e superarem os médicos 3.0.

    Não basta mais o médico estar divulgando sua área nas redes sociais com maestria, isso muitos já estão fazendo, nesta fase é fundamental que o médico siga conceitos de gestão. Entre eles se encontram os conceitos de medicina-produto e de experiência de usuário.

    Os médicos que hoje divulgam amplamente nas redes sociais técnicas e tratamentos que eles dominam com certa exclusividade, pois na maioria das vezes eles mesmos que desenvolveram e validaram esses métodos, estão atingindo níveis nunca vistos de sucesso e ganhos financeiros.

    Ter um produto premium, isto é, um tratamento para um problema que seja preferencialmente prevalente e que o médico possua grandes diferenciais em relação a concorrência, associado a uma gestão preocupada com a experiência que o paciente terá durante aquele tratamento é a chave da medicina 4.0

    Divulgar esse tratamento de ponta, e atender esse paciente através de um método de gestão moderno que empregue métricas, automação e melhorias constantes é o que tem elevado a medicina a um novo patamar.

    Médicos com tratamentos novos e disruptivos, com grande impacto e diferenciação, quando associado à um marketing eficiente e uma gestão moderna chega ao ponto mais alto da medicina hoje.

    Os médicos 3.0 que apresentam uma grande abrangência de pacientes mas sem um diferencial estão fadados ao desaparecimento, sendo substituídos por médicos que possuem um produto premium bem desenvolvido e bem trabalhado.

    Porém, todo médico 4.0 precisa dominar a comunicação em massa contida na medicina 3.0. A maioria dos médicos 4.0 evoluíram da fase anterior ao desenvolverem para si um produto premium e passaram a trabalhar exclusivamente com ele abandonando quase que totalmente os outros tratamentos contidos na sua especialidade.

    O médico 4.0 está preocupado e suas ações estão movidas por entregar algo totalmente novo e especializado. Nenhum médico que não esteja direcionando suas ações para algo específico que vai mudar a maneira que as pessoas lidam com determinado problema ou dor, pode ascender a medicina 4.0.

    Temos portanto que evoluir como indivíduo para poder prestar uma medicina mais eficiente, mais moderna, de maior impacto e que gerem resultados mais positivos para um número maior de pessoas.

    E preparem-se que já temos alguns modelos da medicina 5.0 surgindo em vários locais do mundo.

    Essa medicina é baseada em empresas que vendem os produtos premium de cada médico, criando um menu de opções para os pacientes com os médicos que solucionam de maneira mais eficiente cada problema.

    Estas empresas vão ter um médico para cada problema específico.

    Como temos visto, a especialidade não vai ter mais tanto valor, mas sim o problema que você resolve.

    Posso não ter especialidade, mas se eu resolver 1 problema com maestria, estarei apto a ser escolhido por estas empresas para oferecer em seu portfólio um produto premium.

    Quem não tiver um produto premium está fadado a ficar na margem da evolução da medicina.

     

    Aqui estão alguns links que podem ser relevantes para você agora:

     

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    Por hoje é só, e até a próxima!

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    Sou especialista em cirurgia plástica, ajudo profissionais da saúde a capacitarem-se para uma nova realidade dentro de suas áreas de atuação.
    Co-founder da startup Soma Peruzzo.
    Mentor de Médicos e Profissionais da Saúde.